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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Rosa de Hiroshima | Vinicius de Moraes

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada


(Vinicius de Moraes)


Nesse dia em que estamos todos consternados com a tragédia na escola no Realengo, prestamos nossa singela homenagem a todas as vítimas e familiares, com a publicação  desse poema escrito pelo Poetinha, para lembrar do episódio das bombas nucleares em Hiroshima e Nagazaki, no Japão, durante a Segunda Guerra Mundial. O cenário não é o mesmo, mas a dor da perda e o sentimento de comoção é igual, ou até mesmo maior. 

domingo, 13 de março de 2011

Da Paixão que Volta | Vinícius Dill Soares

Acostumo
com a despedida
se fora, sofrida
assumo

Sem rumo
jaz, caída
desiludida
a prumo

Presumo
um dia, arrependida
decidida
reassumo

Resumo
soar, subentendida
retrocedida ...
desarrumo

(Vinícius Dill Soares)


segunda-feira, 7 de março de 2011

Te quero porque é Amor...


Não te espero, só porque te quero.
Te quero, como sei que eu nunca quis alguém assim.

Não te espero, só porque te quero.
É porque te quero só pra mim...
Te quero na minha vida, na minha paixão.
Te espero, em todos os momentos e não só na solidão.

(Celi Luzzi)

sábado, 5 de março de 2011

Consonâncias | Vinícius Dill Soares

Nessa procura
Pela palavra perfeita
Pela rima completa
Pelo poema mais lindo do mundo...

Encontrei você

Que até não rima com amor
Não rima com verão
Não rima com noite estrelada,
Mas rouba minha sensatez
Minhas noites de sono
Minha paz, já não mais desejada.




(Este poema é de autoria do redator do Literatura Fascinante, o poeta Vinícius Dill Soares, e foi retirado de seu blog, o Meu Amigo Poeta. Contato com o autor via twitter: @GarotodasLetras e @MeuAmigoPoeta.

sexta-feira, 4 de março de 2011

O Quebra-cabeça da Vida | Martha Medeiros
















Tudo o que nos fez feliz ou infeliz,
serve pra montar o quebra-cabeça da nossa vida, 
um quebra-cabeça de cem mil peças.

Aquela noite que você não conseguiu parar de chorar, 
aquele dia que você ficou caminhando sem saber para onde ir, 
aquele beijo cinematográfico que você recebeu, 
aquela visita surpresa que ela lhe fez, o parto do seu filho, 
a bronca do seu pai, a demissão injusta, 
o acidente que lhe deixou cicatrizes, 
tudo isso vai, aos pouquinhos, formando quem você é.
Não há nenhuma peça que não se encaixe.
Todas são aproveitáveis.
Como são muitas, você pode esquecer de algumas, 
e a isso chamamos de "passou"...

Não passou!!  Está lá dentro, meio perdida, 
mas quando você menos esperar, 
ela será necessária para você completar o jogo e se enxergar por inteiro."

















(Martha Medeiros)

quinta-feira, 3 de março de 2011

Canção Excêntrica | Cecília Meireles

Ando à procura de espaço
para o desenho da vida.
Em números me embaraço
e perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
em vez de abrir um compasso,
protejo-me num abraço
e gero uma despedida.

Se volto sobre meu passo,
é distância perdida.

Meu coração, coisa de aço,
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
não me animo a um breve traço:
- saudosa do que não faço,
- do que faço, arrependida.

(Cecília Meireles)


















quarta-feira, 2 de março de 2011

Dois Amantes | Pablo Neruda















Dois amantes felizes não têm fim nem morte (...)
São eternos como é a natureza.



(Pablo Neruda)



quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Soneto de Luz e Treva | Vinicius de Moraes

Eu sempre pensei que casais fossem bons exemplos de pessoas que combinassem quase que perfeitamente em tudo. Aliás, ao meu ver, um possível "pré-requisito" para haver um casal seria exatamente esse: muitas coisas em comum, verdadeiras almas gêmeas que se encontraram quase sem querer. Mas o que dizer quando nos deparamos com pessoas tão diferentes, mas tão diferentes que se amam enlouquecidamente?
Vinicius de Moraes tentou entender como isso acontece. Seria algo físico, do tipo "os opostos se atraem"? Não sei. Acho que nem o poeta sabe! Confiram:


 
SONETO DE LUZ E TREVA

Ela tem uma graça de pantera
no andar bem comportado de menina
no molejo em que vem sempre se espera
que de repente ela lhe salte em cima

Mas súbito renega a bela e a fera
prende o cabelo, vai para a cozinha
e de um ovo estrelado na panela
ela com clara e gema faz o dia

Ela é de Capricórnio, eu sou de Libra
eu sou o Oxalá velho, ela é Inhansã
a mim me enerva o ardor com que ela vibra

E que a motiva desde de manhã.
-- Como é que pode, digo-me com espanto
a luz e a treva se quererem tanto...


(Vinícius de Moraes)

Você conhece algum casal assim? Ou então, você forma um casal um tanto fora dos padrões? Conte-nos através dos comentários, de forma anônima, se preferir. Aguardaremos ansiosos. ;-D

(Texto de Vinícius Dill S., retirado daqui.)


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Saudade | Poema de Pablo Neruda


Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais... 
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
                                                            (Pablo Neruda)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Fernando Pessoa, o Heteropoeta da Língua Portuguesa

Impossível falar de Poesia em Língua Portuguesa e não lembrar de um dos maiores representantes desse gênero. Fernando Pessoa é chamado por muitos de “heteropoeta” pois, ao longo de toda sua produção literária, criou vários autores heterônimos, com características literárias distintas e percebíveis; os mais conhecidos são Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos.
E por que será que ele se dividiu em tantos?
Fernando Pessoa procurou reproduzir em sua literatura algumas questões que o perseguiram durante a sua vida, como por exemplo, o desdobramento do “eu” e a multiplicação de identidades. Ao construir heterônimos tão diferentes e de altíssimo nível literário, ele só prova o quanto é genial; é tanto talento que não cabe em uma pessoa só.

É o próprio Pessoa que assina um dos poemas mais conhecidos em todo o mundo:

Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal 
São lágrimas de Portugal! 
Por te cruzarmos, quantas mães choraram, 
Quantos filhos em vão rezaram! 
Quantas noivas ficaram por casar 
Para que fosses nosso, ó mar! 

Valeu a pena? Tudo vale a pena 
Se a alma não é pequena. 
Quem quer passar além do Bojador 
Tem que passar além da dor. 
Deus ao mar o perigo e o abismo deu, 
Mas nele é que espelhou o céu.
 (Fernando Pessoa)

É nesse poema que encontramos a célebre frase: “Tudo vale a pena | Se a alma não é pequena”, citada para fazer referência aos portugueses que deixaram o país em viagens marítimas, ao longo dos séculos, sobretudo durante o século XVI, período de maior ascensão de Portugal sobre o resto do mundo.

Pesquisando sobre a biografia de Fernando Pessoa, encontrei o livroclip “Fernando Pessoa em 8 porradas”,  que explica de forma bem descontraída e didática o quão dura foi a vida desse gênio da nossa literatura:


Caso você queira conhecer um pouco mais da poética pessoana, a sugestão é esse livro, editado pela L&PM Editores, na coleção pocket: “Poesias”, reúne uma bem construída seleção de poemas assinados por Pessoa e pelos heterônimos Caeiro, Reis e Campos.



Para finalizar, apresento um poema que traz presente outra inquietação de Fernando Pessoa, a "sinceridade pelo fingimento":


Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
(Fernando Pessoa)


Postagem de Vinícius Dill S.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Traduzir-se | Ferreira Gullar



Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
-que é uma questão
de vida ou morte-
será arte?
(Ferreira Gullar)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Pedaços de Mim | Martha Medeiros

Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos

Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci

Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante


Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar

Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo. 
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